Minas Gerais: o jeans e a gestão ambiental - 02/10/2009

Origem: Laboratorio, a enciclopédia livre.

Por: Rosane Silveira, Luiza Melo, Ana Luisa Ferreira, Jéssica e Décio

Somente ano passado os brasileiros consumiram cerca de 7 bilhões de metros de tecidos. Infelizmente todo este tecido não foi produzido no país, parte veio da China. Inferior em qualidade, mas com preços mais próximos do bolso do brasileiro. Porém as fábricas brasileiras ainda são melhores fornecedoras quando o assunto é tempo de entrega dos pedidos. Sabe-se que a indústria da moda é uma das maiores empregadoras do país, com 1,7 milhão de trabalhadores que produzem desde o fio do tecido até peças inteiras, culminando nas vendas para o consumidor final.

Uma política econômica mal sucedida afetou o mundo este ano e alguns setores do país sofreram com as perdas, um deles é justamente o da moda. O setor, até junho de 2009, registrou uma queda no varejo de 6,9%. Isso quer dizer produtos parados nas prateleiras. Mas o superintendente da ABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção - acredita que 2010 tende ao crescimento. Falando em moda, assunto comum no mundo do design é a sustentabilidade. Aliás, é outro ponto no qual as empresas brasileiras deveriam se esforçar para encaixar. Produtos sustentáveis, ecodesign e afins, têm um valor superior quando comparados aos semelhantes não sustentáveis. O jeans é um exemplo de esperança. Feito de algodão orgânico, tinto com pigmentos naturais e beneficiamentos em empresas com preocupação ambiental, este tecido pode ajudar muito no crescimento das vendas nos próximos anos. Já que é notável a preocupação da população com o consumo consciente.

Em Minas Gerais se encontram alocadas uma série de empresas de tecelagem e lavanderias industriais de jeans, onde são utilizados milhões de litros de água. A maioria procura tratar seus insumos para posterior devolução de recurso natural ao meio ambiente. Por ser qualificada como uma atividade potencialmente poluidora, as empresas pagam ao IBAMA uma taxa de controle e fiscalização ambiental. Esta é calculada de acordo com o grau de uso de recurso e tamanho da empresa. Iniciativa adotada pelo estado em 2000 para formalizar algo que já deveria existir.

A fábrica de jeans Disritmia, em Betim, é um bom exemplo. Ela possui estação de tratamento de efluentes industriais, que trata toda água utilizada na tinturaria, lavanderia e outros processos, cuja eficiência está próxima de 95%. Além de ser uma das poucas fábricas que possui lavanderia própria. Outro bom exemplo é a Cedro Têxtil, empresa administradora de quatros unidades fabris em Minas, que investiu cerca de R$ 1,2 milhão em instalações e garantiu a certificação ISO 14001. Certificação que valida o sistema de gestão ambiental, permitindo à empresa o controle de seus impactos ambientais e controle de uso e disposição de recursos naturais, além de oferecer controle de custos, redução de riscos e melhoria no desempenho fabril. A Cedro trata seus resíduos e efluentes monitorando indicadores, mantendo metas de reciclagem e reuso de recursos, fazendo coleta seletiva, utiliza biocombustíves e realizando plantio de árvores.

No entanto, estas preocupações devem estar na cabeça dos consumidores. São eles que sustentam e validam estes investimentos por parte das empresas. O jeans é o tecido de produção mais simples e também o tecido mais vendido. Seja em forma de calças, jaquetas, saias ou calçados, o jeans é um item básico no guarda roupa. Uma pesquisa concluiu que cada brasileiro possui cerca de 10 calças jeans no armário. Se soubermos de onde vem este produto e todo seu processo fabril, estaremos praticando o consumo consciente. Assim a gestão ambiental, quando existente, naturalmente agregará valor ao produto. Isto associado ao tempo correto de entrega dos produtos, mais a excelente qualidade nos mesmo, formam um tripé que propulciona a produção nacional. E então o setor se destacaria ainda mais, já que está entre os 10 principais mercados mundiais da indústria têxtil e é o segundo fornecedor de índigo (pigmento do jeans), segundo a ABIT.

Pensemos: Minas é o berço de um dos grandes rios do país. É também onde se localizam parques de preservação de mata atlântica nativa. Também é o lar de grandes fábricas têxteis, que abastecem a indústria da moda. Para o beneficiamento têxtil utilizam-se diversos químicos (ácido acético, ácido fórmico, acetona, hipoclorito de sódio, etc) em conjunto com muitos litros de água. A água fornecida pela empresa de abastecimento é devolvida ao esgoto, que volta aos rios. É um ciclo. Portanto é preciso cuidar, preservar, reduzir, reutilizar, reciclar e apoiar boas idéias de gestão ambiental. A natureza lucra, a empresa lucra, o estado lucra, nós lucramos!